Currículo do Curso

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COMPOSIÇÃO CURRICULAR
 
 
            O Mestrado Profissional em Educação Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas tem duração de dois anos e segue as propostas formativas efetivadas pela FACED-UFBA em seus convênios de formação em serviço e cursos de especialização com municípios da Bahia. Tais propostas foram instituídas experimentalmente e imprimiram uma marca de ousadia nos seus desenhos curriculares. Na graduação, nos municípios de Irecê e Tapiramutá, o currículo apresentava um curso não disciplinar, com um fluxograma montado individualmente por cada um dos cursistas. A especialização, em Irecê, foi efetivada em uma árdua atividade coletiva de montagem do TCC: uma proposta curricular para a rede municipal de educação, cuja implementação se encontra em andamento.
 
             Estes e outros aspectos da composição curricular destes cursos vêm sendo investigados em pesquisas de várias universidades. Os pressupostos teóricos desses desenhos curriculares fundamentam-se na chamada Pedagogia do A-con-tecer, termo cunhado por Mª Inez Carvalho, profª adjunta da UFBA, a partir dos estudos prigoginianos da Teoria das Possibilidades/atualizações na vertente defendida por Felippe Serpa – professor que compôs o quadro do PPGE e foi reitor da UFBA, entre 1993/1998 – de que o mundo funciona como um jogo em que se vão atualizando as diversas possibilidades postas. Todo o trabalho pedagógico está alicerçado no conceito de campo das possibilidades pensadas como o desencadeador intencional do campo das atualizações, o que propicia uma construção curricular mais em processo e menos como um modelo a ser aplicado.
 
            Na montagem do currículo, o campo das possibilidades pensadas é o direcionador das escolhas a respeito dos tipos, conteúdos e formas dos componentes curriculares do curso. Tais componentes curriculares não são pré-definidos em sua integralidade, ou seja, contrariando os pressupostos disciplinares que, na maioria das vezes, indicam disciplinas com proposições previamente definidas, neste desenho curricular, os componentes são de diversas naturezas a fim de contemplar as ideias contemporâneas que enfatizam as linguagens como fundantes nos processos de aprendizagem, assim como a multiplicidade dos modos de aprender.
 
          Compreende-se que o conhecimento para ser de fato consolidado tem que se desatrelar da presença, presencial e/ou virtual, sempre constante de um professor, desse modo, os mestrandos têm autonomia orientada nos estudos e desenvolvimento de suas pesquisas. A chamada aprendizagem colaborativa pode/deve ocorrer a partir de intercâmbios entre corpo docente/discente, corpo discente/discente e corpo discente/elementos externos. Para propiciar efetivamente esta aprendizagem proposta, o desenho curricular tem uma forte base tecnológica, entendida para além da dimensão instrumental. No curso há um ambiente de rede com base tecnológica, no qual todas as informações/produções de conhecimento circulam. Tal ambiente disponibiliza fóruns de discussão, blogs, espaços específicos para cada componente e informações diversas.
 
         
OS CICLOS
 
             
           Os componentes curriculares estão distribuídos em ciclos que correspondem cronologicamente aos semestres letivos. A pertinência da utilização do termo ciclo pode ser explicada, por ser este um termo - diferentemente do linearmente cronológico semestre - de caráter não sequencial. Tal característica contempla um dos princípios conceituais sobre aprendizagem que rege o curso. A ideia de ciclo, tempo cíclico, possui concomitantemente, um caráter de finitude — os ciclos têm um começo e um fim — e de infinitude — a repetição do ciclo nunca se realiza da mesma maneira, apesar das intensas relações com o ciclo anterior.
 
           Tal estrutura curricular que atualiza o entendimento de currículo como o “processo social realizado no espaço concreto escola” (Burnham, 1993) e que abrange percursos de aprendizagens, discentes e docentes, em suas dimensões epistemológicas, políticas, econômicas, tecnológicas, ideológicas, estéticas, históricas (Apple, 1988), é consonante com os atuais documentos que tratam sobre a questão curricular no país, destacando-se localmente o documento Política de Reestruturação dos Currículos dos Cursos de Graduação da UFBA, que reforça os conhecimentos, competências e habilidades, como não estáticos e submetidos, independente de intencionalidades, a um processo contínuo de desconstrução e reconstrução.
              O percurso de formação gira em torno de dois movimentos, que a cada ciclo serão finalizados com um Seminário comum aos dois movimentos e no final do curso com a defesa dos TCCs. Esta estrutura pode ser apresentada em 4 itens: 
  • Movimento 1. Adentrando no conhecimento socialmente produzido dimensão teórica.
  • Movimento 2. Adentrando nos meandros das redes de ensinoa dimensão prática.
  • Seminário
  • Trabalho de Conclusão de Curso

          Cada um dos movimentos acontece simultaneamente em cada ciclo, com exceção do último, o Ciclo Quatro, quando é oferecido apenas o movimento dois. São movimentos interdependentes e a intenção da simultaneidade é possibilitar, desde o início, conexão direta com as pesquisas dos mestrandos. No quarto e último semestre, apesar do não oferecimento dos componentes curriculares do movimento um, a interdependência é mantida, pois apesar da inscrição apenas no componente do movimento prático, a oficina, esta é destinada à elaboração do trabalho final do curso e os mestrandos voltam-se necessariamente aos conteúdos do movimento teórico dos ciclos anteriores.

A. O primeiro movimento - Adentrando no conhecimento socialmente produzido: é a dimensão teórica, composta de quatro blocos temáticos, agrupados pela área de concentração e alinhados com as linhas de pesquisa do programa. São eles:
  • Educação e currículo ao longo da história;
  • Educação e prática docente;
  • Educação e linguagens;
  • Educação e contextos instituídos e instituintes;
A cada ciclo (com exceção do Ciclo Quatro), os quatro blocos são disponibilizados para inscrição e aos mestrandos cabe obrigatoriamente:
  • No Ciclo UM: inscrição em, no mínimo, dois Blocos Temáticos,
  • No Ciclo DOIS e Ciclo TRÊS: inscrição em, no mínimo, um Bloco Temático.
Cada um dos blocos temáticos terá um professor, chamado Professor Coordenador, responsável pela organização didática do bloco que será estruturado em três componentes curriculares, a saber:
  1. Grupos de estudos acadêmicos (GEACs): o professor do bloco temático, em cada um dos ciclos sonda as demandas, problemáticas e necessidades investigativas do curso e/ou de cada mestrando e apresenta material selecionado sobre as mesmas, induzindo problematizações como estímulo para os estudos. Todos os participantes se debruçam sobre o material para construírem uma produção textual, socializada no ambiente de rede, embasada na prática escolar, nas referências teóricas indicadas e nos interesses de investigação. É um componente de 34 horas, semipresencial, com 3 tipos de encontros: com o professor presencialmente (17 h); com o professor via redes tecnológicas (07 h) e sem professor (10 h). Os encontros são semanais.
  2. Cursos: serão realizados paralelamente aos GEACs para aprofundamento da discussão temática de cada bloco e possibilitar uma maior articulação entre a temática do bloco e as temáticas investigativas dos mestrandos. É um componente de 17 h oferecido modularmente, uma ou duas vezes durante o ciclo, ou seja, um módulo de 17 horas ou 2 de 8/9 horas.
  3. Palestra: fecha os estudos de cada Bloco Temático e é ministrada pelo Professor Coordenador que monta a atividade a partir dos resultados obtidos nos diversos estudos do bloco. Apesar de não ter atribuição direta de carga horária/crédito, devido ao exíguo tempo de duração, é caracterizada como componente curricular pela sua importância na finalização de cada Bloco Temático.
B. O segundo movimento - Adentrando nos meandros das redes de ensino: dimensão prática que objetiva possibilitar de um real envolvimento do curso com as práticas concretas. Será realizado através do componente curricular oficina.
 
A cada ciclo será oferecida uma oficina com inscrição obrigatória. Neste espaço, o momento é para o aprimoramento do TCC. Tem-se como intenção propiciar um mergulho crítico, embasado em estudos teóricos, no cotidiano dos espaços das redes de ensino. São as oficinas assim constituídas: saídas a campo, socialização dos achados em campo, estudos teóricos. As discussões teóricas deste componente são voltados para a metodologia visando, qualificar as idas a campo.
  1. Descobrindo a rede: buscar descobrir os meandros da rede de ensino e delimitar interesses, a partir de visitas a estes espaços. Estudos de metodologia da pesquisa.
  2. Compreendendo espaços específicos da rede: aprofundar-se no conhecimento das realidades da rede, a fim de alargar a compreensão sobre a mesma, definir o foco da pesquisa e participar do cotidiano destes espaços.
  3. Pensando seu espaço de investigação da rede: repensar a problemática de investigação e vivenciar o cotidiano do espaço escolhido para conduzir o aprimoramento de sua investigação. Será realizada a qualificação, na qual serão apresentadas as propostas de intervenção na rede.
  4. Escrevendo o seu espaço de investigação da rede: ciclo destinado à formulação da proposta de intervenção para a rede de ensino e defesa final.
C. Os Seminários: objetivam avaliar os trabalhos realizados, socializar as problemáticas de investigação e viabilizar novas demandas. O seminário do Ciclo QUATRO será destinado as defesas dos TCCs.
 
D. O Trabalho de Conclusão do Curso: pensado desde o primeiro semestre, poderá abarcar as seguintes modalidades: projetos de inovação pedagógica; projetos técnicos e tecnológicos de intervenção nas escolas; desenvolvimento de materiais didáticos pedagógicos; proposta de intervenção em procedimentos de gestão e de coordenação ou de serviços permanentes que interferem na prática educativa. Para a conclusão o trabalho será submetido a uma banca constituída por no mínimo três membros doutores.
 
 
DESENHO CURRICULAR

CICLO UM

CICLO DOIS

CICLO TRÊS

CICLO QUATRO

MOVIMENTO 1

MOVIMENTO 2

MOVIMENTO 1

MOVIMENTO 2

MOVIMENTO 1

MOVIMENTO 2

MOVIMENTO 2

Blocos temáticos:

 

 

OFICINA 1

Descobrindo a rede

 

Blocos temáticos:

 

OFICINA 2

Compreendendo espaços específicos da rede

 

Blocos temáticos:

 

OFICINA 3

Pensando seu espaço de investigação da rede

 

 

OFICINA 4

Escrevendo o seu espaço de investigação da rede

 

·         Educação ao longo da história I

·         Educação ao longo da história 2

·         Educação ao longo da história 3

·         Educação e prática pedagógica I

·         Educação e prática pedagógica 2

·         Educação e prática pedagógica 3

·         Educação e linguagens I

·         Educação e linguagens 2

·         Educação e linguagens 3

·         Educações e contextos instituídos e instituintes I

·         Educações e contextos instituídos e instituintes 2

·         Educações e contextos instituídos e instituintes 3

SEMINÁRIO I

SEMINÁRIO II

SEMINÁRIO III

SEMINÁRIO IV

 

 

MOVIMENTO 1. Adentrando no conhecimento socialmente produzido (o eixo teórico).

Realizado a partir de BLOCOS TEMÁTICOS constituídos pelos seguintes componentes curriculares: grupos de estudos, cursos e palestras.

MOVIMENTO 2. Adentrando nos meandros das redes de ensino (o eixo prático).

Realizado a partir de oficinas em espaços da Rede do Ensino Básico.